Eletroposto como negócio: franquia ou operação própria? A comparação que ninguém faz
- Guilherme Matos
- há 14 horas
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No Rio de Janeiro, o número de empreendedores buscando entrar no mercado de recarga de veículos elétricos cresceu de forma repentina nos últimos meses. Parte desse movimento veio do Eletroposto Carioca, lançado pela Easy Volt em fevereiro de 2025 como projeto-piloto de franquia em área pública da cidade. O setor virou pauta de quem procura um negócio novo, sustentável e com demanda em expansão.
A pergunta que esse empreendedor faz, e que quase nenhum conteúdo responde com honestidade, é qual modelo faz mais sentido: entrar por uma franquia ou montar uma operação própria. A maior parte do que se encontra sobre o tema é material produzido pelas próprias franquias para atrair franqueados. Este artigo compara os dois caminhos com critério técnico e financeiro, para que a decisão seja tomada com base em números, não em discurso de venda.
O que o mercado realmente oferece hoje
Antes de comparar os modelos, é preciso entender o tamanho da oportunidade que está movimentando esse interesse.
Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil emplacou 48.514 veículos puramente elétricos, crescimento de 90% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Em abril, os eletrificados representaram 16,2% de todas as vendas de veículos leves no país.
Do lado da infraestrutura, o Brasil tinha pouco mais de 21 mil eletropostos públicos e semipúblicos em fevereiro de 2026. A McKinsey Brasil projeta a necessidade de aproximadamente 580 mil carregadores até 2030, representando uma oportunidade de mercado de R$ 6,8 bilhões para o setor de recarga.
O descompasso entre a frota que cresce e a infraestrutura que não acompanha é real. A questão não é se há oportunidade, e sim como entrar nela.
Os dois caminhos para operar um eletroposto
O modelo de franquia
Em uma franquia de eletroposto, o empreendedor adere a uma rede já estabelecida e recebe a marca, o modelo de operação, o suporte técnico e, em alguns casos, a indicação dos equipamentos e do ponto de instalação. Em troca, paga uma taxa de franquia inicial e, dependendo do contrato, royalties ou percentual sobre o faturamento.
O que a franquia oferece de fato:
Marca reconhecida e presença em aplicativos de localização de eletropostos da rede
Modelo de operação já testado, com processos definidos
Suporte na escolha do ponto e no projeto inicial
Curva de aprendizado reduzida para quem nunca operou no setor
O que precisa ser avaliado com atenção:
A taxa de franquia, que em modelos do mercado brasileiro varia de algumas dezenas de milhares de reais a mais de meio milhão, dependendo da estrutura
Os royalties ou percentual sobre faturamento, que reduzem a margem ao longo de toda a operação
A dependência da rede para tarifação, gestão e roaming, o que limita a autonomia sobre o próprio negócio
A vinculação contratual, que pode restringir a escolha de fornecedores, equipamentos e a precificação do serviço
O modelo de operação própria
Na operação própria, o empreendedor monta o eletroposto de forma independente: escolhe o ponto, contrata o projeto técnico, adquire os equipamentos, define a tarifação e fica com 100% da receita, sem taxa de franquia nem royalties.
O que a operação própria oferece:
Nenhuma taxa de franquia e nenhum royalty: a receita é integralmente do operador
Autonomia total sobre tarifação, marca, fornecedores e estratégia de operação
Liberdade para escolher os equipamentos com melhor relação entre custo, certificação e suporte técnico
Possibilidade de integrar o eletroposto a aplicativos de roaming de forma independente, alcançando os mesmos usuários da rede de franquias
O que exige preparo:
A curva de aprendizado é maior, porque não há um modelo pronto entregue
A escolha do ponto, o dimensionamento e a gestão dependem de decisão própria, apoiada por fornecedores técnicos
A construção de visibilidade do ponto exige cadastro nos aplicativos de localização e estratégia própria
A comparação que define a decisão
A diferença central entre os dois modelos está em três pontos: custo total ao longo do tempo, autonomia e quem fica com a margem.
Custo ao longo do tempo: a franquia tem a vantagem de um modelo pronto, mas cobra por isso de forma recorrente, via royalties ou percentual sobre faturamento. A operação própria concentra o investimento no início, sem custo recorrente de marca, o que melhora a margem ao longo dos anos de operação.
Autonomia: a franquia define regras de operação, tarifação e fornecedores. A operação própria deixa todas essas decisões com o empreendedor, o que exige mais preparo, mas permite ajustar o negócio à realidade do ponto específico.
Margem: na franquia, parte da receita vai para a rede. Na operação própria, toda a receita fica com o operador, descontados apenas os custos diretos da operação.
Não há modelo certo ou errado. Há o modelo adequado ao perfil do empreendedor. Quem busca entrada rápida com curva de aprendizado reduzida e aceita dividir margem pode preferir a franquia. Quem busca autonomia total e margem integral, e está disposto a estruturar a operação com apoio de fornecedores técnicos, encontra na operação própria um retorno potencialmente maior ao longo do tempo.
A estrutura de receita de um eletroposto, independente do modelo
Em qualquer dos dois caminhos, a receita de um eletroposto vem das mesmas fontes:
Venda do serviço de recarga: cobrada por kWh, por tempo de conexão ou por sessão. A Resolução Normativa 1.000/2021 da ANEEL permite a comercialização da recarga com preços livremente negociados, sem necessidade de concessão pública
Margem entre o custo da energia e o preço de venda: o operador compra energia da concessionária e revende o serviço de recarga com margem
Receita por permanência e parceria: eletropostos em estabelecimentos comerciais geram tráfego e tempo de permanência, o que pode ser monetizado em parcerias com o ponto comercial
Serviços agregados: conveniência, espaço para mídia e parcerias com aplicativos de mobilidade
A diferença é que, na operação própria, o operador fica com a integralidade dessa receita, enquanto na franquia parte dela é compartilhada com a rede.
O que determina o retorno, em qualquer modelo
O retorno de um eletroposto não depende do modelo escolhido, e sim de decisões técnicas e de localização que precedem qualquer contrato:
Localização e fluxo: a variável mais crítica. Um eletroposto sem demanda real no ponto não gera retorno, seja franquia ou operação própria.
Tipo de carregador: carregadores AC têm menor investimento e retorno entre dois e quatro anos em locais de alta permanência. Carregadores DC rápidos exigem investimento maior, mas têm receita superior por hora em locais de alto fluxo, com retorno entre três e cinco anos.
Custo de adequação elétrica: em muitos projetos, a adequação da infraestrutura elétrica supera o custo do próprio equipamento. Não prever esse componente compromete o cálculo de retorno desde o início.
Tecnologia de gestão: o sistema de gestão é o que permite tarifação inteligente, monitoramento remoto e redução de tempo de inatividade. Um eletroposto parado é receita zero, e o monitoramento é o que garante disponibilidade.
Por que o equipamento e o suporte técnico definem a operação própria
Para quem escolhe o modelo de operação própria, a escolha do equipamento e do fornecedor técnico é o que substitui a estrutura que a franquia entregaria. É aqui que a decisão técnica faz a diferença entre uma operação confiável e uma que gera retrabalho.
Equipamentos sem certificação que comprove conformidade com a ABNT NBR IEC 61851-1:2021 têm maior probabilidade de falhas, o que afeta diretamente a disponibilidade e a receita. A WEG foi a primeira empresa no Brasil a obter a certificação de acreditação do Inmetro para estações de recarga, em agosto de 2024, com aprovação das linhas WEMOB com base nessa norma. Além do Inmetro, as estações WEMOB possuem certificações ANATEL, CE (Europa) e EV Ready 2.0.
A Unitek, como distribuidora autorizada WEG, oferece ao empreendedor que monta operação própria o que a franquia entregaria sem a taxa de franquia e sem royalties: levantamento técnico do ponto, projeto elétrico com ART, fornecimento de equipamentos certificados, instalação, comissionamento e suporte técnico pós-implantação no Rio de Janeiro. O operador fica com a marca própria, a tarifação própria e a integralidade da receita.
Calcule o retorno antes de assinar qualquer contrato
A decisão entre franquia e operação própria, e a viabilidade de qualquer eletroposto, precisa ser tomada com os números do projeto específico: localização, tipo de carregador, custo da energia no ponto, investimento total e modelo de tarifação.
Antes de assinar um contrato de franquia ou de fechar um projeto independente, use o simulador de estação de recarga WEMOB da Unitek para estimar o investimento e o retorno com base nos dados reais do seu caso. É a forma de comparar os modelos com números, não com promessas.
Checklist: o que avaliar antes de montar um eletroposto
O ponto de instalação tem fluxo real de veículos elétricos que justifique o investimento?
O custo total inclui equipamento, adequação elétrica, projeto com ART e sistema de gestão?
No modelo de franquia, qual é a taxa inicial e qual o percentual recorrente sobre o faturamento?
Na operação própria, há fornecedor técnico capaz de entregar projeto, instalação e suporte?
O tipo de carregador (AC ou DC) foi definido conforme o perfil de uso do ponto?
Os equipamentos têm certificação compatível com a ABNT NBR IEC 61851-1:2021?
O sistema de gestão permite tarifação, monitoramento remoto e controle de receita?
A taxa de utilização mínima para o retorno esperado foi calculada com dados reais?
O projeto considera expansão futura do número de pontos?
FAQ
Vale mais a pena uma franquia de eletroposto ou montar por conta própria?
Depende do perfil do empreendedor. A franquia oferece marca, modelo pronto e curva de aprendizado reduzida, em troca de taxa de franquia e percentual sobre o faturamento. A operação própria exige mais preparo, mas mantém a integralidade da receita e a autonomia total. Em ambos os casos, o retorno depende da localização, do tipo de carregador e do investimento. Simular os números de cada cenário é o que permite uma comparação real.
Quanto custa montar um eletroposto por conta própria?
Varia conforme o tipo de carregador e a infraestrutura do local. Um ponto AC pode ficar entre R$ 20.000 e R$ 60.000 com instalação completa. Carregadores DC rápidos elevam o investimento para a faixa de centenas de milhares de reais por ponto. A adequação elétrica e o sistema de gestão entram nesse cálculo.
Preciso pagar royalties para operar um eletroposto independente?
Não. Na operação própria não há taxa de franquia nem royalties. O empreendedor fica com a integralidade da receita, descontados apenas os custos diretos da operação, como energia, manutenção e sistema de gestão.
Um eletroposto independente aparece nos aplicativos de recarga?
Sim. Operadores independentes podem cadastrar seus pontos em aplicativos de roaming e localização de eletropostos, alcançando os mesmos motoristas que usam a rede das franquias. A visibilidade não é exclusividade de quem opera por franquia.
Preciso de concessão ou licença especial para operar um eletroposto?
Não. A Resolução Normativa 1.000/2021 da ANEEL permite que qualquer pessoa jurídica comercialize o serviço de recarga com preços livremente negociados, sem necessidade de concessão pública. O que é obrigatório é a conformidade técnica da instalação, com projeto elétrico e ART registrada no CREA.
Conclusão
O mercado de recarga no Rio de Janeiro e no Brasil está em expansão real, e a entrada de empreendedores no setor acompanha esse movimento. A escolha entre franquia e operação própria não tem resposta única: tem o modelo adequado ao perfil, ao capital disponível e à disposição de cada um para estruturar o negócio.
O que não muda em nenhum dos dois caminhos é que o retorno depende de localização, equipamento certificado, projeto técnico correto e gestão eficiente. E que a decisão precisa ser tomada com números do projeto específico, não com projeções genéricas.
Antes de escolher o caminho, simule. O simulador WEMOB da Unitek processa as variáveis do seu projeto e entrega uma estimativa de investimento e retorno para uma decisão fundamentada.
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Fontes: ABVE, dados de emplacamentos janeiro a abril de 2026 | ABVE e Tupi Mobilidade, levantamento de eletropostos, fevereiro de 2026 | McKinsey Brasil, projeções para o setor de recarga até 2030 | ANEEL, Resolução Normativa 1.000/2021 | ABNT NBR IEC 61851-1:2021 | WEG, certificação Inmetro para estações WEMOB, agosto de 2024 | Grupo Bittencourt, lançamento do Eletroposto Carioca pela Easy Volt, fevereiro de 2025


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