Eletroposto para estacionamento: o que os dados dizem e o que precisa acontecer antes da instalação
- Guilherme Matos
- 9 de jun.
- 8 min de leitura

Em fevereiro de 2026, o Brasil registrou 21.061 eletropostos públicos e semipúblicos instalados, crescimento de 42% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) em parceria com a Tupi Mobilidade. Mais do que o volume total, o dado que muda o cálculo para quem opera um estacionamento é outro: os carregadores rápidos DC cresceram 167% em 12 meses e já representam 31% da rede nacional.
Esse ritmo de expansão não é coincidência. Está seguindo a demanda do consumidor brasileiro, que precisa de pontos de recarga confiáveis onde já passa o dia, seja no shopping, no supermercado, no hotel ou no estacionamento da empresa. Quem entende esse comportamento como oportunidade de negócio está certo em querer entender o que é necessário para instalar um eletroposto para estacionamento antes de o mercado se densificar.
Este artigo apresenta os dados de mercado de fontes oficiais, a estrutura de receita real, o que tecnicamente precisa acontecer e o que separa uma instalação que funciona de uma que gera retrabalho.
O que os dados de mercado dizem para quem opera estacionamento
A concentração de eletropostos em shoppings e estacionamentos comerciais não é aleatória. O modelo de negócio desses locais oferece exatamente o que o motorista de veículo elétrico precisa: tempo e conveniência. Enquanto o cliente faz compras, almoça ou trabalha por duas a três horas, o carro recarrega sem esforço adicional. Essa equação de valor é difícil de replicar em outros tipos de ponto de recarga.
Segundo projeção da McKinsey Brasil, o Brasil precisará de aproximadamente 580 mil carregadores até 2030 para atender uma frota projetada de 1,4 milhão de veículos elétricos, representando uma oportunidade de mercado de R$ 6,8 bilhões para o setor de recarga. A McKinsey identifica os locais de destino, como shoppings, restaurantes, hotéis e estacionamentos comerciais, como o segmento de maior oportunidade para novos operadores no Brasil.
O Rio de Janeiro é o terceiro estado do país em frota eletrificada, com 39.295 veículos registrados até janeiro de 2026, segundo a ABVE. A demanda por recarga nos estacionamentos da cidade está crescendo junto com a frota.
Os modelos de receita de um eletroposto em estacionamento
Um eletroposto em estacionamento pode gerar receita de três formas, e entender cada uma é parte do dimensionamento do retorno esperado.
Receita direta por recarga
O operador cobra pelo serviço de recarga por kWh consumido, por tempo de conexão ou por sessão. A Resolução Normativa 1.000/2021 da ANEEL permite a comercialização do serviço de recarga com preços livremente negociados, sem necessidade de concessão pública. O operador compra energia da concessionária e vende o serviço com margem.
Receita indireta por permanência e consumo
Em estacionamentos integrados a estabelecimentos comerciais, o eletroposto aumenta o tempo de permanência do usuário e, com isso, o consumo no local. Esse efeito é documentado no setor: o Shopping Vitória, no Espírito Santo, investiu R$ 500 mil em infraestrutura de recarga como parte de um projeto de ampliação de estacionamento, posicionando o serviço como diferencial competitivo e como resposta a uma demanda real de moradores que enfrentam dificuldade de instalar carregadores nos próprios condomínios.
Receita por fidelização e posicionamento
Eletropostos em estacionamentos aumentam a taxa de retorno de clientes com veículos elétricos, que tendem a preferir locais onde sabem que podem recarregar. Esse fator tem peso crescente em cidades onde a frota eletrificada está acima da média nacional.
AC ou DC: a decisão que mais impacta o retorno
Para estacionamentos, a escolha entre carregadores AC e DC não é questão de tecnologia preferida. É questão de perfil de permanência do usuário.
Carregadores AC (11 kW a 22 kW)
São a escolha correta para estacionamentos onde o veículo fica parado por duas horas ou mais: shoppings, empresas, hotéis, restaurantes de permanência longa. O investimento por ponto é menor, a infraestrutura elétrica é mais simples e a adequação da instalação existente é menos onerosa. Para a maioria dos estacionamentos comerciais no Brasil, esse é o tipo mais adequado.
Carregadores DC rápidos (50 kW a 150 kW)
Fazem sentido em locais com alta rotatividade onde o motorista precisa recarregar em menos de uma hora: postos de combustíveis, estacionamentos de conveniência em rodovias e corredores de alta passagem. O investimento inicial é significativamente maior, mas a receita por hora de operação também é superior quando a taxa de utilização é alta.
O dimensionamento correto começa pelo tempo médio de permanência do veículo no local, não pelo desejo de ter o carregador mais rápido disponível.
O que precisa acontecer antes da instalação
Levantamento técnico da capacidade elétrica
A infraestrutura elétrica do estacionamento precisa suportar a carga adicional dos carregadores. Essa avaliação envolve verificar a capacidade do transformador, o dimensionamento do quadro de distribuição e a possibilidade de aumento de demanda contratada junto à concessionária. É o passo que mais impacta a diferença entre o orçamento apresentado e o custo final da instalação.
Projeto elétrico com ART
O projeto define os pontos de conexão, especifica as proteções elétricas exigidas pelas normas ABNT NBR 5410 e NBR 17019 (incluindo DR Tipo B), define o layout das vagas de recarga com atendimento à Diretriz Nacional SAVE e documenta a instalação para aprovação junto à concessionária, quando necessário. A Anotação de Responsabilidade Técnica registrada no CREA é obrigatória.
Atendimento à Diretriz Nacional SAVE
A Diretriz Nacional SAVE, publicada pelo Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros (CNCGBM/LIGABOM, Portaria 029/2025) em agosto de 2025 e com vigência nacional a partir de fevereiro de 2026, estabelece critérios obrigatórios para estacionamentos com sistemas de recarga:
Apenas modos de recarga 3 (AC fixo) e 4 (DC) são permitidos em garagens fechadas, conforme ABNT NBR IEC 61851-1
Ponto de desligamento manual a no máximo cinco metros de cada estação
Disjuntores identificados por ponto de recarga
Sinalização obrigatória das estações e dos pontos de desligamento
Distância mínima de cinco metros entre vagas de recarga e rotas de fuga em locais com saída única
Sistema de gestão
Para estacionamentos comerciais, o sistema de gestão é o que permite controlar acesso, tarifar por sessão ou por kWh, monitorar disponibilidade em tempo real, emitir relatórios de faturamento e, quando aplicável, integrar com aplicativos de localização de eletropostos. Sem esse componente, a operação do eletroposto não tem controle de receita.
Por que certificação do equipamento importa para operação comercial
Um carregador instalado em estacionamento comercial precisa funcionar de forma confiável por anos, com usuários diferentes e padrões de uso variados. Equipamentos sem certificação que comprove conformidade com a ABNT NBR IEC 61851-1:2021 têm maior probabilidade de falhas operacionais, o que gera perda de receita, impacto na experiência do usuário e risco de rejeição pela concessionária no processo de conexão à rede.
A WEG tornou-se, em agosto de 2024, a primeira empresa no Brasil a obter a certificação de acreditação do Inmetro para estações de recarga, com aprovação das linhas WEMOB WALL e WEMOB PARKING com base na norma ABNT NBR IEC 61851-1:2021. Além da certificação do Inmetro, as estações WEMOB possuem certificações ANATEL, CE (Europa) e EV Ready 2.0, entre outras.
A linha WEMOB PARKING foi desenvolvida especificamente para uso em estacionamentos, com foco em robustez operacional, integração com sistemas de gestão e compatibilidade com os principais conectores do mercado nacional.
A Unitek, como distribuidora autorizada WEG, fornece as estações WEMOB com levantamento técnico, projeto com ART, instalação especializada, comissionamento e suporte técnico pós-implantação.
Calcule o retorno antes de decidir
O retorno de um eletroposto em estacionamento depende de variáveis específicas do local: fluxo de veículos elétricos, tempo médio de permanência, modelo de tarifação, custo do kWh na tarifa do local e investimento total em equipamentos e infraestrutura.
O simulador de estação de recarga WEMOB da Unitek permite inserir os dados do seu projeto e receber uma estimativa de investimento e retorno antes de qualquer decisão.
Checklist: o que avaliar antes de instalar eletroposto em estacionamento
Qual é o tempo médio de permanência dos veículos no estacionamento?
O fluxo estimado de veículos elétricos no local foi avaliado?
A capacidade elétrica da instalação suporta a carga dos carregadores ou há necessidade de adequação?
O modelo de tarifação foi definido conforme o perfil de uso do local?
O projeto prevê conformidade com ABNT NBR 5410, NBR 17019 e Diretriz Nacional SAVE?
Há ponto de desligamento manual a no máximo cinco metros de cada estação?
Os disjuntores de cada ponto estão identificados e sinalizados?
O sistema de gestão permite monitoramento, tarifação e controle de acesso?
Os equipamentos têm certificação compatível com ABNT NBR IEC 61851-1:2021?
O projeto inclui ART de projeto e de execução?
O dimensionamento considera expansão futura do número de pontos?
FAQ
Qual o retorno esperado de um eletroposto em estacionamento?
Varia conforme o investimento inicial, o tipo de carregador, a taxa de utilização e o modelo de tarifação. Carregadores AC em locais de alta permanência tendem a ter payback entre dois e quatro anos. Carregadores DC em locais de alto fluxo podem ter retorno em três a cinco anos. O cálculo precisa ser feito com os dados específicos do local. O simulador WEMOB da Unitek processa essas variáveis e entrega uma estimativa antes de qualquer decisão.
Quantos pontos de recarga um estacionamento comercial precisa?
Depende do tamanho do estacionamento, do fluxo de veículos elétricos e do objetivo do operador. Para começar, dois a quatro pontos AC em locais de alta permanência já permitem avaliar a demanda real antes de escalar o investimento. O ideal é dimensionar a infraestrutura elétrica para a capacidade final desde o início, mesmo que os carregadores sejam instalados em fases.
Preciso de alguma licença especial para cobrar pelo serviço de recarga?
Não. A Resolução Normativa 1.000/2021 da ANEEL permite que qualquer pessoa jurídica comercialize o serviço de recarga com preços livremente negociados, sem necessidade de concessão pública. O que é obrigatório é a conformidade técnica da instalação com projeto elétrico e ART.
Carregadores gratuitos ou pagos: o que faz mais sentido para um shopping?
Depende da estratégia do empreendimento. Carregadores gratuitos funcionam como benefício ao cliente e têm custo para o operador. Carregadores pagos geram receita direta e permitem controle de uso. Alguns empreendimentos adotam modelos mistos, com recarga gratuita até determinado tempo e tarifação a partir daí. O sistema de gestão precisa suportar o modelo escolhido.
O que é a linha WEMOB PARKING da WEG?
É a linha de estações de recarga WEG desenvolvida especificamente para uso em estacionamentos e espaços de uso coletivo. Os equipamentos são certificados pelo Inmetro com base na norma ABNT NBR IEC 61851-1:2021 e possuem integração com sistemas de gestão para controle de acesso, tarifação e monitoramento remoto.
Conclusão
O crescimento da frota elétrica no Brasil está criando demanda por recarga nos locais onde as pessoas já estão. Shoppings, restaurantes, hotéis e estacionamentos comerciais têm uma vantagem natural nesse cenário: o usuário já está lá, e o tempo de permanência é compatível com o tempo de recarga.
Instalar eletroposto em estacionamento é uma decisão de negócio que precisa ser calculada com os dados reais do local. Localização, perfil de permanência, custo de energia e investimento em infraestrutura determinam o retorno.
Antes de definir o escopo e o investimento, use o simulador de estação de recarga WEMOB da Unitek para entender os números do seu projeto.
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Fontes: ABVE e Tupi Mobilidade, levantamento de eletropostos, fevereiro de 2026 | McKinsey Brasil, projeções para o setor de recarga até 2030 | ABVE, frota eletrificada por estado, janeiro de 2026 | ANEEL, Resolução Normativa 1.000/2021 | ABNT NBR 5410 | ABNT NBR 17019 | ABNT NBR IEC 61851-1:2021 | Diretriz Nacional SAVE, CNCGBM/LIGABOM, Portaria 029/2025 | WEG, certificação Inmetro para estações WEMOB, agosto de 2024 | Revista Shopping Centers, caso Shopping Vitória, outubro de 2025


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